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Transtornada II

Meu coração está pulsando muito forte,
Ouço vozes pedindo para eu não ir em frente...
A pulsação está cada vez mais acelerada,
Está todo mundo querendo que eu me estrepe.
Preciso seguir, mesmo que meu coração arrebente.

Eu não sou a única, eu sei!
Mas posso mostrar que sou diferente, que sou incomum,
Ser imperfeito cheio de dentes e sangue correndo pelas veias;
Preciso provar a todos que sou capaz.

Por que estou aqui? As pessoas parecem me odiar!
Preciso me libertar, tenho que sair daqui...
Estou no meio de estranhos, esses estranhos querem me destruir!
Um dia eu sairei da caixinha onde estou trancada.

Por favor, alguém me segure, sinto que posso desmaiar...
Meu sangue corre com fervor em minhas veias, dentro do meu corpo.
Preciso me assumir, decidir ser quem sou,
Não posso deixar ninguém me impedir...

Quem sabe

Quem sabe ainda sou uma garotinha,
Esperando o príncipe encantado,
Quem sabe o príncipe virou um sapo;

Quem sabe ainda sou uma garotinha,
Acreditando que inocência existe no coração das pessoas,
Esperando acreditar que não existe maldade;

Quem sabe sou apenas uma criança,
Que não difere a mentira da verdade,
Que é tão frágil e inexperiente,
Quem sabe ainda eu não saiba amar;

Quem sabe eu anda seja uma garotinha,
Esperando os pais chegarem do serviço,
Quem sabe eu seja uma menina má,
Uma eterna garotinha...

São erros

O gosto dos teus beijos
Teu jeito de envolver-me
Faz-me de louca, atriz;

Teus olhos enganam-me,
Mas, ao mesmo tempo,
Contam verdades;

Mentiras tornam-se passivas,
Acaricia, protege,
Conforta-me, com teu corpo,
Envolve-me, em teu calor,
Aprecia as lembranças;

Os desejos enlouquecem-me;
Já não controlo os atos,
Os atos são pensados,
Muitas vezes,
São erros.

Foi tudo tão rápido

Em dias de chuva eu sorri
Em dias de sol eu chorei
Em dias nublados, os dois.

Perdi um amor por não dizer eu te amo.
Vi um amor acabar quando parti.
Descobri o que é um mar de lágrimas.
Quando caí em si e percebi que estava só,
Eu me vi desesperada por um beijo
E se não bastasse, sofri de desprezo.

Vi as horas passarem e nada fiz,
Tanto tempo se passou que não há como corrigir,
Já nem daria, já é passado.

Sofri muito, já não sofro mais.
Antes havia dor, agora vazio.
Antes havia tristeza, agora conformidade.
Eu já não sei chorar, já não choro,
Pouco rio, pouco falo, vivo somente a pensar,
Pensar que poderia ter sido diferente só que não foi
Então simplesmente vivo, vivo intensamente sem rancor, sem amor.
Um corpo vivo por fora, morto por dentro;

Já não sei amar, já não há amor.
Somente suplico, peço,
Por um carinho, por um beijo.

Doce

Doce luz que me invadiu
Doce melodia, que costurou meus ouvidos.
Sem teus olhos, morreria
Perderia-me entre os passos.

Doce magia, que encanta
Doce voz, infinita
Doces lábios, mentiras afáveis
Cantoria,
Pranto;

Doce pele que na minha lua
Suas estrelas se encontraram
Doces versos transcritos na areia
Com o mar se apagou
Doce desejo, ilusões.
Doce desejo, verdades dolorosas.

Doce sabor amargo, do teu adeus.
Doce encanto despertou
Doce tristeza aconteceu
Doces lembranças, guardadas
Doces lembranças, tristes lembranças,
São só lembranças;

E o que acontece comigo?
Se não despertas dentro de mim

Fere-me, dói por dentro
Como punhal, mata aos poucos.
Invade-me, tento matá-lo de meus sentimentos, ingênuos
Fale comigo, diga oi!
Você não sabe o quanto faz mal te esperar.
Por favor, escute
É triste sofrer assim sem razão.

Doces ventos que o levaram
Doce brisa trouxe partes de ti.
Doce tristeza, padecida
Doce sorriso se foi.
Doce encanto se perdeu...

E o que acontece comigo?
Se não despertas, dentro de mim
Fere-me, dói por dentro
Como punhal, mata aos poucos
Invade-me, tento matá-lo de meus sentimentos, ingênuos;
Fale comigo, diga oi!
Você não sabe o quanto faz mal te esperar;
Por favor, escute!
É triste sofrer assim sem razão.

Doces ventos que o levaram,
Doce brisa trouxe partes de ti.
Doce tristeza, padecida
Doce sorriso se foi
Doce encanto se perdeu.
"Não posso querer ser o que jamais irei ser,
Não posso querer que as pessoas gostem de mim,
Não posso apagar tudo aquilo que eu vivi,
Eu não posso abandonar jamais, quem mais me ama,
Eu não posso pedir que as pessoas fiquem ao meu lado,
Eu não quero mudar por simplesmente ninguém me aceitar como sou,
Não quero um amor inventado."

Meus trinta anos

O tempo passou e não sou mais criança,
Já não tenho a pele tão corada e firme,
Já troquei todos os dentes da boca,
Já vivi muitos amores, perdas e ganhos;

É engraçado olhar para trás e lembrar tudo o que passou...
A minha infância, o meu primeiro beijo, minha primeira transa,
Meu primeiro filho, a primeira vez que eu escrevi...

Lembro até hoje dos tão sonhados quinze anos e como
Foi inesquecível esse dia para mim;
Eu lembro da emoção que senti ao meu filho nascer.

A minha pele está um pouco flácida e já começa a parecer rugas,
Os meus modos demonstram a maturidade,
Já passei por muitas situações, emoções e acontecimentos,
E me vejo agora no auge dos meus trinta anos.

Coisas que não existem

Conto de fadas, príncipe encantado,
Perfeição, árvore de dinheiro,
Cura para a celulite e para o HIV,
Super-poderes, direitos iguais para todos;

Se machucar sem sentir dor,
Nunca querer voltar no tempo,
"Máquina do tempo";

Dizer sempre a verdade,
Cultivar com todos, a boa amizade,
Sentir confiança em alguém e não ser traído,
Ter todas as respostas para todas as perguntas;

Convivência sem conflitos,
Todos os amores, correspondidos,
Uma vida sem erros.

Separação II

Diga pra mim, mas não me machuque...
Olha pra mim, não me despreze...
Por favor não me julgue, não me apunhale pelas costas...
Por favor eu peço, não me rotule...

O seu rosto eu desenhei
Num papel qualquer que encontrei
Pelo chão da casa, no meu quarto
Ainda resta um pouco de você.

Diga pra mim, mas não me machuque...
Diga a verdade, mesmo que doa em nós...
Já percebi que a tua boca não procura mais a minha,
Que teus olhos não encontram mais os meus...

Já entendi, o nosso amor morreu,
Não podemos fazer nada pra mudar,
O que resta é eu entender você,
O que resta é você me entender...

Diga pra mim, mas não me machuque...
Diga a verdade, mesmo que doa em nós...
Já percebi que a tua boca não procura mais a minha,
Que os teus olhos não encontram mais os meus...

Diga pra mim, mas não me machuque...
Não tenho culpa que nosso amor se perdeu...
Agora é hora de cada um ir para o seu canto,
Agora é hora de nós nos dizermos adeus.

Insensato coração

Quando é ele quem resolve que é ele que manda,
É certeza que ele vai se precipitar.
Ele afasta a razão de perto e faz o que quer,
Até ela voltar para o seu devido lugar.

O seu problema é que ele sempre diz sim.
Já que a razão se encarrega de evitar, de dizer não;
Ele não pede opinião, simplesmente faz o que quer.

À todos os corações insensatos, dedico este poema,
Para os corações que se entregam de corpo e alma,
Para os corações que não medem as consequências,
À todos os corações apaixonados.